A LITERATURA DA SEGUNDA METADE DO SÉCULO XX
Se olharmos a literatura portuguesa notamos que é frequente a história dar as mãos ao universo literário criado pelo escritor. Por isso, julgamos que é possível encontrar na segunda metade do século XX uma nova fase importante da nossa literatura com outra postura e filosofia dos escritores e intelectuais portugueses. O regime ditatorial, a Segunda Grande Guerra (1939-1945), a emigração, a geração de 60, a guerra colonial, das imagens saudosistas e nostálgicas de África, a transição para a democracia são temas constantes que se apresentam como dado histórico, mas que em muitos autores constituiu luta e anseio. Há uma literatura com uma mensagem de consciência.
E se muitos são temas de intervenção comprometida, continuamos a encontrar uma poesia e uma prosa da vida contra a morte, da busca do sagrado, da procura da identidade, dum certo messianismo e utopia, de máscaras, de aniquilamento e de vazio. A literatura portuguesa, tal como a literatura contemporânea do Ocidente, apresenta-se, como a arte, num certo caminho do absurdo, talvez porque o Homem, com tantas descobertas científicas e avanços tecnológicos, não encontrou ainda uma explicação para a vida.
A nossa identidade é uma constante da poesia que, embora abordando muitos temas universais, está atenta às questões que se colocam ao homem e à mulher portugueses. Encontramos a poesia-combate e a que exprime ternura e o amor, a que denuncia e a que reflete sobre a condição humana ou a que alerta para o mundo em que vivemos e a que nos dá a consciência de Povo e de País.
(V. Moreira e H. Pimenta, Dimensão Comunicativa 10, Porto Ed., 1997)

“Poesia útil” e Literatura de resistência
A literatura como arma contra a ditadura e a guerra colonial
A
literatura comprometida do século XX.
Textos e artistas de intervenção da segunda metade do século XX:
José Afonso, “A formiga no carreiro”
Sérgio Godinho, “Que força é essa”
Manuel Alegre, “Trova ao vento que passa”
Joaquim Rodrigo, «S.M.»
Sophia de Mello Breyner Andresen, "25 de Abril" e outros poemas trocados com Jorge de Sena
José Mário Branco, “Eu vim de longe, eu vou p’ra longe”
Da ditadura
militar ao Estado Novo.
A construção do Estado Novo, um estado antiliberal, conservador,
nacionalista, corporativo, autoritário e colonial.
A adoção do modelo fascista italiano.
Os
cortes dos serviços
de censura portugueses, durante o Estado Novo.
in Panorama da Cultura Portuguesa, Francisco Rui Cádima, Coord: Fernando Pernes, Porto, Afrontamento, 2002.
José Carreiro, http://lusofonia.com.sapo.pt/literatura_portuguesa/literatura_engajada_PTsecXX.htm, 2011-12-08

José Carreiro
aguiarcarreiro@gmail.com
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