PARA UMA SÍNTESE DA OBRA DE CESÁRIO VERDE
Poeta do final do século XIX
APROXIMAÇÃO DA POÉTICA DE CESÁRIO ÀS ESCOLAS LITERÁRIAS
Tendência romântica:
Tendência parnasiana:
Tendência realista/naturalista:
Tendência impressionista:
Tendência surrealista:
CONTEÚDOS TEMÁTICOS DA POESIA DE CESÁRIO VERDE
Poetização do real – objetividade/subjetividade
Em Cesário assiste-se constantemente à passagem do objetivo para o subjetivo, de modo que ele capta as impressões do quotidiano:
- a expressão da realidade objetiva é profundamente conotativa, com um discurso entrecortado por frases exclamativas, ricas de subjetivismo, com uma linguagem a relatar as impressões pessoais das realidades objetivas e observadas;
- as sensações transformam-se em imagens, tendo Cesário o poder fazer brotar poesia do que há de mais trivial e menos poético;
- a sua imaginação transfiguradora transpõe a realidade numa outra.
Dimensão social
Oposição cidade/campo
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- espaço tecnizado e artificializado pelo Homem, simboliza: - aprisionamento - injustiça - humilhação - impossibilidade do amor - morte, doença
A cidade é um espaço soturno, opressor, onde tudo sufoca e reflecte a dor humana. |
- espaço natural e puro, simboliza: - recusa da opressão e possibilidade do exercício da liberdade - plenitude - expressão idílica do amor - tranquilidade - vida, fertilidade, força, vigor
É do campo que Cesário recebe força e vitalidade (mito de Anteu); fora dele, o poeta sente-se fraco e doente. |
Imagética feminina
Há uma sexualização da cidade e do campo que incorpora as alegorias da morte e da vida. Assim:
- surge associada à cidade; - é frígida, - frívola, - calculista, - madura, - destrutiva, - dominadora, - sem sentimentos; - desperta o desejo e, simultaneamente, arrasta para a destruição (humilhação sentimental). |
· a mulher angélica - surge associada ao campo; - é frágil, - terna, - ingénua, - despretensiosa; - desperta o amor puro, a vida e o desejo de proteção. |
Em síntese, eis os traços mais significativos da representação da mulher na obra de Cesário Verde:
· A mulher burguesa – fútil, altiva, dotada de extrema beleza, fria, orgulhosa...
· A mulher do campo – simples, pura, sensível, natural...
· A mulher trabalhadora – engomadeira, varina, vendedeira....
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(Poemas exemplificativos: “Deslumbramentos”, “Num bairro moderno”, ”A débil”, “O sentimento dum ocidental”)
• A humilhação sentimental:
- a mulher formosa, fria, distante e altiva («Esplêndida; «Deslumbramentos», «Frígida»);
- a mulher fatal da época / a humilhação do sujeito poético tentando a aproximação («Esplêndida»);
- a mulher burguesa, rica, distante e altiva / a humilhação do sujeito poético que não ousa aproximar-se devido à sua baixa condição social («Humilhações»);
- a mulher fatal, bela e artificial, poderosa e desumana / a consequente humilhação do poeta («Deslumbramentos»);
- a mulher fatal, pálida e bela, fria, distante e impassível que o poeta deseja e receia / a humilhação e a necessidade de controlar os impulsos amorosos («Frígida»).
• A humilhação estética:
- a revolta pela incompreensão que os outros manifestam em relação à sua poesia e pela recusa de publicação por alguns jornais («Contrariedades»).
• A humilhação social:
- o povo comum oprimido pelos poderosos («Humilhações»; «Deslumbramentos»);
- o abandono a que são votados os doentes («Contrariedades»);
- o povo dominado por uma oligarquia[1] poderosa («Deslumbramentos»)
[1] Oligarquia: governo político em que o poder está concentrado nas mãos de pequeno número de indivíduos ou de poucas famílias; predomínio político de pequeno número de pessoas.
LUSOFONIA - PLATAFORMA DE APOIO AO ESTUDO A LÍNGUA PORTUGUESA NO MUNDO, JOSÉ CARREIRO, 2007-01-08 < http://lusofonia.com.sapo.pt/literatura_portuguesa/cesario_verde.htm >

José Carreiro
aguiarcarreiro@gmail.com
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