FERNANDO PESSOA
 

 

Vida e obra de Fernando Pessoa

Fernando Pessoa e os ismos da vanguarda
        Paulismo
        Interseccionismo
        Sensacionismo
        Silmutaneismo
        Futurismo

 

Importância da revista Orpheu

Fernando Pessoa ele mesmo
        A poesia do Cancioneiro
        Unidade e diversidade em Fernando Pessoa
        O fingimento artístico
        A nostalgia da infância
        A dor de pensar. Tensões ou dicotomias que espelham a sua complexidade interior.
        O simbolismo metafórico
                O simbolismo cósmico do mar
                
A mulher
                A emoção ontológica da noite

Avalie os seus conhecimentos acerca da vida e obra de Fernando Pessoa ortónimo.

 

 

 

Vida e obra de Fernando Pessoa 

Fernando Pessoa (1888 – 1935) fica órfão de pai aos cinco anos e a sua mãe casa com o cônsul de Portugal em Durban, razão pela que viajam a África do Sul, onde recebe uma educação britânica. Posteriormente voltará a Lisboa, onde exerce como tradutor. 

Ideologicamente temos de dizer que foi liberal dentro do conservadorismo, um cristão gnóstico oposto à Igreja de Roma e partidário dum nacionalismo mítico, de criar um sebastianismo novo (“Tudo pela Humanidade; nada contra a nação”). 

A sua obra está muito dispersa em revistas e outras publicações, com tudo publicou livros e folhetos como:

35 Sonnets.
English poems I – II.
English poems III.
Mensagem

Para mais informações consulte Hipermedia Pessoano – “Vida e Obra de Fernando Pessoa”.

 

 

Fernando Pessoa e os ismos de vanguarda

Paulismo 

É uma invenção de Pessoa cujo nome deriva do poema “Impressões do crepúsculo”. O Paulismo é um refinamento dos processos simbolistas, um estilo que se define pela voluntária confusão do subjectivo e o objectivo por:

A associação de ideias desconexas.
Frases nominais e exclamativas.
Aberração da sintaxe.
Vocabulário que expressa aborrecimento de viver (“Tão sempre a mesma, a Hora!”), o vazio da alma, um vago além (uso de maiúsculas nas palavras de mais importância).
Perante o tédio de viver há uma ânsia de ideal e de alienação de si mesmo nos limites (“horizonte”, “portões”) do mundo de sonho criado por ele próprio.  

O poema que inicia o Paulismo, “Impressões do crepúsculo”, é o precedente da poesia modernista em Portugal. O Paulismo conjuga duas tendências opostas:

Saudosismo (Teixeira de Pascoaes).
Simbolismo – decadentista, que segue as tendências estéticas europeias.

 

Interseccionismo 

O Interseccionismo deriva do Paulismo, supõe a adaptação deste às novas correntes estéticas:

Futurismo: sobreposições dinâmicas, técnica procedente da pintura que se aplica à poesia modernista.
Cubismo: sobreposição dos planos dos objectos (presente e passado, real e onírico), que reflecte a superposição das sensações. 

O poema “Chuva oblíqua” (publicado na revista Orpheu) é considerado o exemplo mais significativo do Interseccionismo.

 

Sensacionismo 

O Sensacionismo (Walt Whitman) é criado por Pessoa e Mário de Sá-Carneiro e supõe uma arte sem regras que tenha como base a sensação. O mesmo Pessoa explica em diversos textos em que consiste, assim diz-nos que os três princípios da arte são:

O da sensação: as sensações devem ser plenamente expressas.
O da sugestão: a expressão das sensações deve evocar o maior número possível de outras sensações.
O da construção: o assim produzido deve parecer-se a um ser organizado.
 


A única realidade da vida é a sensação. A única realidade em arte é a consciência da sensação.

Não há filosofia, ética ou estética, mesmo na arte, seja qual for a parcela que delas haja na vida. Na arte existem apenas sensações e a consciência que dela temos. [...]

A arte, na sua definição plena, é a expressão harmónica da nossa consciência das sensações, ou seja, as nossas sensações devem ser expressas de tal modo que criem um objeto que seja uma sensação para os outros. [...]

Os três princípios da arte são:
     1) cada sensação deve ser plenamente expressa [...];
     2) a sensação deve ser expressa de tal modo que tenha a capacidade de evocar - como um halo em torno de uma manifestação central definida - o maior número possível de outras sensações;
     3) o todo assim produzido deve ter a maior parecença possível com um ser organizado, por ser essa a condição da vitalidade.
     Chamo a estes três princípios 1) o da Sensação, 2) o da Sugestão, 3) o da Construção.

(Páginas Íntimas e de Auto-Interpretação, pp.137-138)
 

 

Assim, o Interseccionismo seria uma forma de concretizar o Sensacionismo.

 

Simultaneismo 

O termo Simultaneismo foi cunhado por Robert Delaunay, embora tome o nome de Michel-Eugène Chevreul.

Em 1913 os futuristas dizem ser os primeiros em introduzir nas suas obras a ideia de simultaneidade. Deste jeito, a sua pintura quer expressar uma sensação dinâmica com a decomposição do movimento.
É Apollinaire quem adapta e generaliza o termo, já que o usa para designar um princípio artístico que consiste em que os elementos sem relação se justapõem de jeito arbitrário, dando lugar ao contraste entre eles. 

A simultaneidade foi um dos conceitos mais discutidos nos anos anteriores à I Guerra Mundial.

 

Futurismo 

O Futurismo aparece de forma oficial em 1909 com o Manifesto Futurista de Marinetti e as suas principais características são:

Rejeição do passado e do moralismo.
Evocação dos avances tecnológicos.
Os primeiros futuristas também exaltavam a guerra e a violência

Em Portugal o Futurismo aparece por primeira vez no número dois da revista Orpheu, dirigida por Pessoa e Mário de Sá-Carneiro.  

Nas odes de Álvaro de Campos (um dos heterónimos usados por Pessoa) aprecia-se uma mistura e Futurismo e Sensacionismo (Walt Whitman):

“Ode triunfal”: amais de cantar aos avances da técnica também evoca o passado (“Canto, e canto o presente, e também o passado e o futuro, porque o presente é todo o passado e todo o futuro”).
“Ode marítima”.

 

 

 

Importância da revista Orpheu 

A revista Orpheu conjuga todos os movimentos literários modernos (Simbolismo, Decadentismo, Paulismo, Simultaneismo, Futurismo, Cubismo, Expressionismo, Sensacionismo, Interseccionismo...) elevando a Portugal à dimensão do moderno e da Europa

(Adaptado de “O domínio da poética Saudosista e neo-romântica nos anos da Primeira República. Fernando Pessoa”, USC, 2006/2007,
http://apuntamentos.iespana.es/introlitpt/19.doc)

 

 

O grande motor de arranque do movimento [modernista português] foi a revista Orpheu, de que saíram dois números apenas (1915). Outras revistas se lhe seguiram, divulgadoras da mesma mensagem artística: Centauro (1 número), Portugal Futurista (1 número), Contemporânea (13 números - 1922-33) e Athena (5 números - 1924-25).

Os homens deste movimento modernista escandalizaram e assustaram os intelectuais e a sociedade "bem pensante" da época, tal a sua inclinação para o desprezo do bom senso, com tendências que evolucionavam do sentir sebastianista mais delirante até às ciências ocultas e à astrologia.

O que se pretendia era escandalizar. Os dois números do Orpheu surgiram mesmo "para irritar o burguês, para escandalizar, e alcançaram o fim proposto, tornaram-se alvo das troças dos jornais". Era assim que se procedia à maior reviravolta da literatura portuguesa.

Pessoa e os outros sentiam-se entediados pelos seus contemporâneos. O repúdio do espírito da Renascença Portuguesa, em que pontificava Teixeira de Pascoaes, foi o primeiro efeito desse tédio.

"Nós não somos do século de inventar as palavras. As palavras foram inventadas. Nós somos do século de inventar outra vez as palavras que foram inventadas".

As tendências do primeiro Orpheu evolucionaram do Decadentismo-Simbolismo até ao Modernismo sensacionista de Álvaro de Campos.

O Futurismo e o Sensacionismo devem-se, em Portugal,aos homens mais influentes do movimento Orpheu: Fernando Pessoa, Almada Negreiros e Mário de Sá-Carneiro.

O Futurismo, lançado na Europa sobretudo pelo poeta italiano Marinetti, é representado em Portugal pelos seguintes textos e autores: "Ode Triunfal" (1914) e "Ultimatum" (1917) de Álvaro de Campos; "Manucure" e "Apoteose" (1915) de Sá-Carneiro; "A Cena do Ódio" (1915), "Manifesto Anti-Dantas" (1916) e "Ultimatum Futurista às Gerações Portuguesas do Séc. XX" (1917) de Almada Negreiros.

Ao mesmo tempo que se mostravam demolidores dos sistemas ideológicos tradicionais, estes homens impunham também um conceito novo de arte, substituindo o conceito de Belo (imitação harmoniosa da Natureza), herdado da velha "estética aristotélica". Queriam uma estética que espelhasse o mundo progressivo do futuro, uma estética dinâmica e agressiva.

Daí a defesa de uma autêntica liberdade da escrita, com recurso ao verso livre e aos atropelos morfo-sintácticos, às metáforas e imagens arrojadas, um estilo que destrua o EU, isto é, toda a psicologia, na literatura, voltando-se para o mundo da técnica, o estilo da força física, do mecanismo e da própria violência. "Queremos na literatura a vida do motor".

 

(António Afonso Borregana, Fernando Pessoa e Heterónimos
Texto Editora, 1995, pp.5-6)

 

 

 

Fernando Pessoa ele mesmo
 

(in Preparação para o Exame Nacional 2006. Acesso ao Ensino Superior. Português 12º Ano,
Vasco Moreira e Hilário Pimenta, Porto Editora, 2006, p. 39)

  

 

 

 

 

A poesia do Cancioneiro 

 


Em Fernando Pessoa coexistem duas vertentes: a tradicional e a modernista.
 
 Algumas das suas composições seguem a continuidade do lirismo português (melancolia, sensibilidade, suavidade e linguagem simples), com marcas do saudosismo; outras iniciam o processo de ruptura, que se concretiza nos heterónimos ou nas experiências modernistas (colaboração com a revista Orpheu) que vão desde o simbolismo ao paulismo e interseccionismo, no Pessoa ortónimo.
 
 Vertente tradicionalista
:
 
 
preferência pela métrica curta;
 
 
lirismo lusitano (reminiscências de cantigas de embalar, toadas do romanceiro, contos de fadas);
 
 
gosto pelo popular (uso frequente da quadra);
 
 
versos leves em que recorre frequentemente à interrogação e às reticências.
 
 Vertente modernista:
 
 
irregularidade métrica (heterometria);
 
 
irregularidade estrófica (heterostrofia);
 
 
a criação heteronímica.


 

 

 

Na poesia, a cujo conjunto Pessoa queria dar o título Cancioneiro, constata-se:

·         um Pessoa em busca de caminhos poéticos:
-   via simbolista / paúlica;
-   interseccionista;
-   «fingimento» e criação heteronímica (1914);
-   esoterismo. 

·         Pessoa, lugar da «deserção» do Eu e da consequente perda, narcísica e dramática, de si e do mundo» – o drama da identidade perdida: «quem me dirá quem sou?».

·         Respostas possíveis:
-   resposta religiosa, metafísica, esotérica;
-   refúgio na noite, no sonho, na música;
-   vontade de permuta (ceifeira, gato...). 

Nenhuma destas respostas é viável: daí a abdicação.

Uma outra via: o «fingimento» heteronímico, o «outrar-se»)

 

     ·         Uma poesia musical que vive da música das emoções: ritmo, música das ideias, melodia, música das palavras. 

·         ·         Um poeta da nostalgia do Eu, do sentido de perda, do tédio, da náusea, do cansaço, da estranheza e também:
            -   da inquietação perante o enigma do mundo, indecifrável porque opaco;
            -   da solidão interior;
            -   das contradições pensar/sentir; querer/fazer; esperança/desencanto. 

·             ·         Com momentos (breves) de plenitude na infância, na música e no sonho. 

 

Um poeta subjetivo, centrado sobre o Eu (egotismo); sofrendo a dor de pensar, a distância entre o sonho e a realidade, a incapacidade de fruir – vivendo sobretudo pela inteligência e pela imaginação.

 

 Quadro síntese sobre o Cancioneiro de Fernando Pessoa 

Motivos poéticos / temas

Estilo

Nível fónico

Nível morfossintático

 e semântico

-    nostalgia do Eu, de um bem perdido (tema da perda);

-    cepticismo;

-    sentimento de saudade;

-    nacionalismo;

-    tédio;

-    náusea;

-    resignação dorida de quem sofre a vida sendo incapaz de a viver;

-    abdicação, desistência;

-    sentimento do vácuo e da opacidade do real;

-    solidão interior;

-    angústia;

-    abulia, fraqueza da vontade;

-    estranheza, perplexidade;

-    dificuldade em distinguir o sonho da realidade;

-    lucidez e dor de ser lúcido, de pensar;

-    intelectualização de emoções;

-    esoterismo;

-    momentos inefáveis: reminiscências do mundo fantástico da infância; a música; o sonho.

Grande sentido da musicalidade:

-    versificação regular e tradicional;

-    eufonia dos versos: rimas, ritmo, aliterações, onomatopeias;

-    transporte ou encadeamento de versos.

-    adjectivação expressiva;

-    utilização expressiva de modos e tempos verbais;

-    uso frequente do presente do indicativo;

-    paralelismos e repetições;

-    comparações;

-    metáforas;

-    uso de símbolos;

-    vocabulário simples (linguagem simples e espontânea);

-    associações inesperadas (por vezes com desvios sintácticos);

-    pontuação emotiva (frases exclamativas, interrogativas e suspensivas);

-    uso frequente de frases nominais;

-    oxímoros (paradoxos).

Adaptado de Para Compreender Fernando Pessoa, Amélia Pinto Pais
Porto, Areal Editores, 2001.

 

 

 

 

Unidade e diversidade em Fernando Pessoa
 

[Pergunta] Olá, eu sou um aluno do 12.º ano e gostaria de saber o essencial sobre os seguintes tópicos da poesia de Fernando Pessoa:
– Tensão sinceridade/fingimento.
– Sentir/pensar.
– Consciência/inconsciência.
– Sonho/realidade.
– A fragmentação do eu.
Obrigado.

José Miguel :: :: Portugal

[Resposta] Não é possível, em resposta sucinta, dizer o «essencial» sobre tais matérias, quando teríamos de percorrer o ortónimo, heterónimos e semi-heterónimos (no mínimo, face às alíneas indicadas, Pessoa ele mesmo, Caeiro, Campos). Perguntas assim, que pedem um desenvolvimento problematizador, requerem outro espaço, outro tempo, disponibilidade e hipótese de confronto de argumentos, que aqui não temos. Aconselho, todavia, clássico entre os clássicos, Jacinto do Prado Coelho, Unidade e Diversidade em Fernando Pessoa, na Editorial Verbo (e talvez só em biblioteca). De forma pedagógica, dá resposta a esses pontos. Da fragmentação do eu derivam os restantes: sendo de raiz romântica, a dispersão do sujeito tem causas pessoais, familiares, linguísticas, literárias, institucionais, nacionais. Conjugadas, e de modo cumulativo, o artista teve de viver em permanente opção, e, substitutivos ou compensatórios, os heterónimos significam, ainda, o adiamento do sujeito – na prática, adiado como o país, político, social e literário, que criticou. Nascem, aí, os itens acima referidos: mais do que opostos, ou negação, representam o permanente jogo no fio da navalha de quem afirma e nega, é verdadeiro e falso, sente e pensa, vê e sonha, tem a lucidez fria desse drama em gente, não moralista, mas irresolúvel, como é próprio dos oxímoros. Mas esta conversa pediria exemplos, que só cada leitor sabe encontrar...

Ernesto Rodrigues, http://www.ciberduvidas.com/pergunta.php?id=9862, 05/12/2001

 

 

O fingimento artístico

O fingimento poético é uma nova concepção de arte. Anti-romântica, despersonalizada, a arte torna-se a expressão das sensações intelectualizadas, produto de uma forte elaboração mental, sempre em busca do novo, do ainda não dito e de um mundo melhor. A imaginação ocupa o papel principal. (in Aula Viva Português 12º Ano, João Guerra e José Vieira, Porto Ed., 1999)

O poeta recorre à ironia para pôr tudo em causa, inclusive a própria sinceridade que, com o fingimento, possibilita a construção da arte.

Pessoa procura, através da fragmentação do Eu, a totalidade que lhe permite conciliar o pensar e o sentir. O interseccionismo entre o material e o sonho, a realidade e a idealidade são tentativas para encontrar a unidade entre a experiência sensível e a inteligência. Daí a intelectualização do sentimento para exprimir a arte, que fundamenta o poeta fingidor (Adaptado de Acesso ao Ensino Superior. Português 12º Ano – A e B, Vasco Moreira e Hilário Pimenta, Porto Ed., 2000).

Fernando Pessoa em “Carta a João Gaspar Simões, a propósito de O Mistério da Poesia”, afirma:

"Nunca senti saudades da infância; nunca senti, em verdade, saudades de nada. Sou, por índole, e no sentido directo da palavra, futurista. Não sei ter pessimismo, nem olhar para trás. Que eu saiba ou repare só a falta de dinheiro (no próprio momento) ou um tempo de trovoada (enquanto dura) são capazes de me deprimir. Tenho, do passado, somente saudades de pessoas idas, a quem amei: mas não é saudade do tempo em que as amei, mas a saudade delas: queria-as vivas hoje, e com a idade que hoje tivessem, se até hoje tivessem vivido. O mais são atitudes literárias, sentidas intensamente por instinto dramático, quer as assine Álvaro de Campos, quer as assine Fernando Pessoa. São suficientemente representadas, no tom e na verdade, por aquele meu breve poema que começa "Ó sino da minha aldeia"... O sino da minha aldeia, Gaspar Simões,, é o da Igreja dos Mártires, ali no Chiado. A aldeia em que nasci foi o Largo de S. Carlos". (in Textos de Critica e de Intervenção, Lisboa, Ática, 1980, pp. 181-182.)

 

A nostalgia da infância 

Do mundo perdido da infância, Pessoa sente a nostalgia. Ele, que foi "criança contente de nada" e que em adolescente aspirou a tudo, experimenta agora a desagregação do tempo e de tudo. Um profundo desencanto e a angústia acompanham o sentido da brevidade da vida e da passagem dos dias. Ao mesmo tempo que gostava de ter a infância das crianças que brincam, sente a saudade de uma ternura que lhe passou ao lado. Busca múltiplas emoções e abraça sonhos impossíveis, mas acaba "sem alegria nem aspiração". Tenta manter vivo o "enigma" e a "visão" do que foi, restando-lhe a inquietação, a solidão e a ansiedade: 

Quando as crianças brincam
E eu as oiço brincar,
Qualquer coisa em minha alma
Começa a se alegrar.

E toda aquela infância
Que não tive me vem,
Numa onda de alegria
Que não foi de ninguém.

Se quem fui é enigma,
E quem serei
visão,
Quem sou ao menos sinta
Isto no meu coração.
 

Pessoa, através do semi-heterónimo Bernardo Soares, no Livro do Desassossego, afirma que "O meu passado é tudo quanto não consegui ser." Por isso, nada lhe apetece repetir nem sequer relembrar. O passado pesa "como a realidade de nada" e o futuro "como a possibilidade de tudo". O tempo é para ele um factor de desagregação na medida em que tudo é breve, tudo é efémero. O tempo apaga tudo. "Nunca houve esta hora, nem esta luz, nem este meu ser. Amanhã o que for será outra coisa, e o que vir será visto por olhos recompostos, cheios de uma nova visão."

Frequentemente, para Fernando Pessoa o passado é um sonho inútil, pois nada se concretizou, antes se traduziu numa desilusão. Por isso, o constante cepticismo perante a vida real e de sonho. Daí, também, uma nostalgia do bem perdido, do mundo fantástico da infância, único momento possível de felicidade. 

(in Preparação para o Exame Nacional 2010. Português 12º Ano,
Vasco Moreira e Hilário Pimenta, Porto Editora, 2010, pp. 19-20)

 

 

 

A dor de pensar.
 

Tensões ou dicotomias que espelham a complexidade interior de Fernando Pessoa.
 

O Pessoa ortónimo revela um drama de personalidade que o leva à dispersão, em relação ao real e a si mesmo, ou lhe provoca fragmentações. Daí a capacidade de despersonalização (a de ser múltiplo sem deixar de ser um), que leva o ortónimo a tentar atingir a finalidade da Arte, ou, como afirma, a simplesmente aumentar a autoconsciência humana. O poeta parte da realidade, mas distancia-se, graças à interacção entre a razão e a sensibilidade, para elaborar mentalmente a obra de arte.

Pessoa procura, através da fragmentação do eu, a totalidade que lhe permita conciliar o pensar e o sentir. A fragmentação está evidente, por exemplo, em Meu coração é um pórtico partido, ou nos poemas interseccionistas Hora Absurda e Chuva Oblíqua. Aí se verifica uma intersecção de realidades físicas e psíquicas, de realidades interiores e exteriores; uma intersecção dos sonhos e das paisagens reais, do espiritual e do material; uma intersecção de tempos e de espaços; uma interacção da horizontalidade com a verticalidade. O interseccionismo entre o material e o sonho, a realidade e a idealidade são tentativas para encontrar a unidade entre a experiência sensível e a inteligência. Daí a intelectualização do sentimento para exprimir a arte, que fundamenta o poeta fingidor.

 

Em Fernando Pessoa observa-se uma dialéctica da sinceridade/fingimento que se liga à consciência/inconsciência e do sentir/pensar. Há assim uma concepção dinâmica da realidade poética que, pela união de contrários, permite criar linguagens e realidades em si diferentes da linguagem do artista e da sua vida, ao mesmo tempo que patrocina ao leitor objectos de identificação e valores que se universalizam e adquirem intemporalidade.

A crítica da sinceridade ou teoria do fingimento está bem patente neste movimento de oposições que leva pessoa a afirmar que «fingir é conhecer-se». O poeta considera que a criação artística implica concepção de novas relações significativas, graças à distanciação que faz do real, o que pode ser entendido como acto de fingimento ou de mentira. Artisticamente, considera que a mentira «é simplesmente a linguagem ideal da alma, pois, assim como os servimos de palavras, que são sons articulados de uma maneira absurda, para em linguagem real traduzir os mais íntimos e subtis movimentos da emoção e do pensamento (que as palavras forçosamente não poderão nunca traduzir), assim nos servimos da mentira e da ficção para nos entendermos uns aos outros, o que, com a verdade, própria e intransmissível, se nunca poderia fazer.» (in «Livro do Desassossego», Bernardo Soares-Fernando Pessoa) (Moreira: 2000)
 

Tensão sinceridade / fingimento:

intelectualização dos sentimentos para elaboração da arte;
acto poético como representação;
fingimento como elaboração mental de conceitos;
despersonalização do poeta fingidor.

 

Poemas exemplificativos:

«Autopsicografia»
«Isto»
«Tudo o que faço ou medito»

Tensão sentir/pensar:

fragmentação do eu;
intelectualização dos sentimentos.

 

Tensão consciência/inconsciência:

ser múltiplo;
despersonalização do poeta;
intelectualização dos sentimentos.

 

«Ela canta, pobre ceifeira»
«O sino da minha aldeia»
«Liberdade»
«Abdicação»
«Meu coração é um pórtico partido»
«Gato que brincas na rua»
«Leve, breve, suave»
«Tudo o que faço ou medito»
«Quando as crianças brincam»

 

A desagregação do tempo:

a transitoriedade da vida;
a nostalgia da infância.

«O menino de sua mãe»
«Não sei, ama, onde era»
«Quando as crianças brincam»

Adaptado de Dossier Exame | Português B | 12º Ano
Mª José Peixoto e Célia Fonseca, Lx, Asa, 2001.

 

 Alfredo Margarido, 1988

 

O simbolismo metafórico 

Na obra de Pessoa o amor surge como a grande impossibilidade, a morte como a grande obsessão.

Para Fernando Pessoa, a vida não existe, o que existe é a via e a transformação.

Encontra-se desde os tempos mais antigos uma simbólica da água que é criadora, fecundante, transformadora do ser e neste sentido voltada naturalmente para o bem.

A água primordial é apresentada como a «mãe que gera o céu e a terra, como uma totalidade ao mesmo tempo cósmica e divina», em muitas cosmogonias arcaicas.

A meditação da água pode conduzir à meditação das origens e a uma ideia de Uno harmonioso, não dividido, positivo por assim dizer.

No entanto, em Fernando Pessoa, a meditação da água tem um carácter negativo, na medida em que não conduz a uma visão feliz, harmoniosa da vida, mas antes a uma imaginação da ausência, do vazio que prefigura a morte.

O simbolismo da água em Fernando Pessoa, modifica-se e é diferente do que tinha sido tradicionalmente para os Portugueses.

Paralelamente a Camões, Fernando Pessoa faz referência ao mar como fluir de amargura – Mar PortuguêsMensagem: «Ó mar salgado, quanto do teu sal! / São lágrimas de Portugal!»

Mas essencialmente o mar, espelho do céu é o reflexo do além, do desconhecido – esta novidade de sensações (esta busca) tem para Pessoa um efeito semelhante ao da explosão do eu que também se encontra em Rimbaud – lugar de dissolução onde o real se desfaz e deixa de se ver, onde a identidade se perde fragmentada definitivamente.

Fernando Pessoa afirma muitas vezes que não sabe quem é, nem que alma tem.

«Não sei quem sou, que alma tenho [], sou variamente outro do que um eu que não existe. Sinto-me múltiplo. Sou o quarto com inúmeros espelhos fantásticos que torcem para reflexões falsas uma única anterior realidade que não está em nenhuma e está em todas». E continua: «Sinto-me vários seres. Sinto-me viver vidas alheias, em mim, incompletamente, como se o meu ser participasse de todos os [] por uma suma de não-eus sintetizados num eu postiço.» (Páginas Íntimas e de Auto-Interpretação).

Esta ausência de um eu que se deseja uno, esta consciência de um eu em permanente mudança, que se interroga mas não se fixa, é a base do génio criador de Pessoa, bem como da angústia profunda que lhe mina a vida.

«O autor humano destes livros não conhece em si próprio personalidade nenhuma».

Proclama-se escravo da sua multiplicidade.

Primeiro Alberto Caeiro, depois Ricardo Reis e Álvaro de Campos. Pessoa não quer reconhecer entre eles qualquer identidade e muito menos entre eles e si próprio.

Contudo, a identidade existe e o simbolismo da água nestes poetas e nos seus poemas permite descobri-la – através da leitura dos poemas vem ao de cima uma identidade profunda em que se reconhece a identidade que quem os escreveu.

A água, nos poemas dos heterónimos e no de Fernando Pessoa ele mesmo, traz sempre consigo imagens de um eu que se sente morto.

Em Caeiro as coisas não têm sentido, têm apenas existência – o movimento interior do poeta, embora tranquilo, não o conduz à unidade, mas à diversidade e fragmentação.

Em Ricardo Reis, tal como o seu Mestre Caeiro, a experiência da água é pacífica, sem a angústia que se detecta nos poemas de Fernando Pessoa ou de Álvaro de Campos; no entanto, a ausência, o vazio, enquanto participação no ser, essência e existência.

Não viver, participando, mas seguir como espectador tranquilo. A imobilidade, a não-integração, a contemplação puramente exterior – a alma, em suma, é também apreendida na água dos «rios calmos».

A água na poesia de Ricardo Reis, apaga todo o desejo de aniquilamento, manifesta-se de modo muito mais intenso – a sua linguagem não é contida como a dos outros heterónimos, explode numa torrente de sensações que o conduzem em direcção ao ponto mais exterior de si mesmo, onde se perde. A noite exerce um grande fascínio neste poeta.

O amor desencadeia, ainda mais do que a noite um percurso psíquico dissolvente do qual é sempre difícil, senão impossível recuperar-se – Ode Marítima, dá imagens de morte antegozada, aniquilação, consciência, e sem controlo. Morte é Mar. Não existe a totalidade restaurada, não há reposição do cosmos, a partir de um caos inicial ou iniciático.

Para Álvaro Campos, a água é sempre dissolvente e só confirma o vazio, a total falta de sentido da existência.

O simbolismo geral da água como elemento negativo é uma constante na obra do poeta.

A água é para ele o reflexo de um vazio.

 

 

O simbolismo cósmico do mar

 

A poesia de Fernando Pessoa apela constantemente a um elemento líquido – a água.

 

Chamam por mim as águas
Chamam por mim os mares

                      (Álvaro de Campos)

 

Jacinto Prado Coelho afirma que «o tema do fluir do tempo, expresso normalmente pelo símbolo do rio, é comum a Caeiro, Álvaro de Campos e Fernando Pessoa.»

Esta temática é também uma constante noutros poetas.

Na obra de Fernando Pessoa, aparecem, frequentemente, os rios que trazem a marca da consciência, da razão, da vida. [A imagem do rio domina o poema que começa assim: «Entre o sono e o sonho, / Entre mim e o que em mim / É o quem eu me suponho, / Corre um rio sem fim.» O rio tem margens, separa, divide. A situação é inalterável porque o «rio corre sem fim». Além disso, o rio transporta água, símbolo quer da vida quer do fluir da existência.]

«O pensamento de Pessoa, com sua sucessão constante de juízos, tem a fluência e a profundidade do rio com que ele o identifica, no subterrâneo de que se desconhecem a foz e a nascente (Canc.71), mas que no seu curso traz vozes de tempos antigos e que vai desembocar num além que o poeta perde».

Projecta-se, multiplicando-se, através da realização de tudo no mar – é um projecção ao nível cósmico, centralizando o seu credo futurista no mar.

A fluidez do devir identifica-se com a dinâmica do mar – a violência e a cólera, a calma e a serenidade, correspondem ao seu querer inconsciente.

O mar encerra um profundo sentido mítico, numa busca de Absoluto – é um mar-arquétipo – «O Grande Cais Anterior, eterno e divino» (Campos).

Dos quatro elementos naturais da filosofia clássica, a água é aquele que o poeta vai eleger para a definição do contingente da vida e do Absoluto dos sonhos.

O mar é o elemento obscuro, onde o poeta dissolve a realização humana: «uma das faces da pirâmide da poética do mar é preenchida exactamente pela ideia de travessia que o homem empreende entre o nascer e o morrer»

A água, como categoria vital, é o ponto de passagem para o estado anterior, de graça, no ventre materno, transcendendo-o, limitando-o e conduzindo-o no tempo.

A água assume uma função duplamente vital: é por um lado um símbolo materno essencial à natureza e à vida, e por outro lado é o embrião humano de onde toda a vida saiu ‑ é um lugar cósmico, anónimo. Jung vê nele o símbolo do «inconsciente colectivo» aquilo que para Pessoa «é o Cais absoluto por cujo modelo inconscientemente imitado» (Álvaro de Campos) ou o «Porto de todos os portos» (Cancioneiro)

A água, como afirma Bachelard " é um símbolo materno, pelo seu movimento rítmico, que embala, que sentimentalmente nos transporta para as origens", para as estruturas arcaicas pré-uterinas.

O mar é, como símbolo de fluidez e força, violência e ternura, o dilema constante da alma, que transparece em toda a poesia pessoana – o eterno dilema entre o inconsciente, vivido e experimentado e se reverte em espectáculo inconsciente.

 

 

A mulher
 

Fernando Pessoa procura na mulher que ama «a outra» (1935, «A outra») – através da mulher o que deseja é outra coisa. Nas Páginas Íntimas e de Auto-Interpretação assume que sempre preferiu ser amado a amar – revela uma passividade face à impossibilidade de amar. Quer a mulher para o sonho e não para o amor.

O amor oprime e ele deseja ser livre.

Na Ode Marítima, há um percurso das imagens do mar às da mulher subjugada pela violência – desejo do mar, desejo da morte, desejo da mulher (a mulher que ele sonha é uma mulher a destruir).

Os dados simbólicos que a água, a morte, a mulher inexistente nos fornecem são mais fáceis de compreender à luz de alguns dados biográficos.

Em Pessoa tudo é pulsão das águas maternas, a obsessão da águas originais, que são as da mãe.

Assim se explica a impossibilidade de amar normalmente uma mulher, a necessidade de voltar a recuperar o mundo de infância e o estado pré-natal de que nos fala em Anamésis – é um percurso regressivo.

Da sua pluralidade poética, encontra Pessoa inúmeras outras imagens e metáforas.

Como metáforas, aliás, se apresentam os próprios heterónimos.

Eu, que tantas vezes me sinto tão real
como uma metáfora

 

 

 

A emoção ontológica da noite
 

O ar é, como símbolo, o elemento material fundamental para a concretização do destino de ascensão espiritual.

O ar (etéreo e desprovido de forma) significa a libertação do mundo e si próprio, num processo de catarse (purga) que facilmente se encontra na fluência da linguagem poética , mas que é sobretudo visível na noite.

«Noite é das palavras mágicas que o léxico português contém não só pelo poder sugestivo da sua componente fónica, a que a dolência do ditongo oi não é alheia, como também pela ambivalência sui generis da sua carga semântica.»

Na poética de Fernando Pessoa os mais altos momentos de lirismo são aqueles em que o poeta canta a noite pela elevação, pela fusão subjectiva (irreal) e objectiva (real): a noite é o «ponto de partida para o sonho» , para a emoção poética, para o «acordar do pensamento, para a esperança». Noite enigma (Mensagem, 21,41), mas noite libertação.

É pela noite que ultrapassa o real e em Álvaro de Campos atinge a maior plenitude na objectivação deste mito.
 

Vem Noite, antiquíssima e idêntica
Noite Rainha, nascida destronada
Noite igual por dentro ao silêncio, Noite
Com as estrelas lantejoulas rápidas
No teu vestido franjado de Infinito

 

Segundo Isabel Vaz, «sugere a imagem da noite pacificadora e protectora, identificando-a com o manto de Nossa Senhora, capaz de abarcar o Infinito.»

«A noite realiza o unidade em que o real e o irreal não se distinguem, porque tudo perde as arestas e as cores».

Sendo o espaço privilegiado do sonho, oferece um mundo onírico propício à transcendência.

Se por um lado a noite se reveste de um espaço de plenitude e um sentimento de vida (em função de uma necessidade inconsciente), ela é, também, como a água, um princípio de morte – nascimento e morte; vida e destruição – ser e não-ser.

«To be or not to be. This is the question»

A noite é braço tutelar, que protege na ausência de movimento: «Mão suave e antiga das emoções sem gesto» (Campos 442)

Pela projecção no ar infinito, onde se apagam as formas, a noite como metáfora de desmaterialização, anula a dimensão da matéria e proporciona uma sublimação íntima.

Na sua linguagem imagética, transubstancia-se e liberta-se pela atitude imaginária que o conduz a um universo lírico, gradualmente, num processo vertical de libertação.

O ar, porque materializa os outros elementos fluidos, é juntamente com a noite (quase confunde como o seu ser), o símbolo da libertação da matéria , para a estância do infinito, do Nada.

«Não estou pensando em nada e isso é-me agradável como o ar da noite» (Camp.505) – é o movimento inconcreto de uma «alma vazia/que paira na orla do ar», é a forma de vivenciar a realidade do seu sujeito, como extensão subjectiva.

Através da poesia da noite, as imagens são os caminhos de sonho vivido em espírito, descrevendo trajectórias de movimentos da alma à alma inteira, num perpétuo movimento de exaltações líricas.

«E neste estado de espírito encontro-me a compor um soneto – acabei-o uns passos antes de chegar ao portão de minha casa – , a compor um soneto de uma tristeza suave, calma, que parece escrito por um crepúsculo de céu limpo. E o soneto não é só calmo, mas também mais ligado e conexo que algumas coisas que eu tenho escrito. O fenómeno curioso do desdobramento é cousa que habitualmente tenho, mas nunca o tinha sentido neste grau de intensidade».

 

ABDICAÇÃO

Toma-me, ó Noite Eterna, nos teus braços
E chama-me teu filho... Eu sou um Rei
Que voluntariamente abandonei
O meu trono de sonhos e cansaços.
Minha espada, pesada a braços lassos,
Em mãos viris e calmas entreguei,
E meu ceptro e coroa - eu os deixei
Na antecâmara, feitos em pedaços
Minha cota de malha, tão inútil,
Minhas esporas dum tinir tão fútil –
Deixei-as pela fria escadaria.
Despi a Realeza, corpo e alma,
E regressei à Noite antiga e calma
Como a paisagem ao morrer do dia.

 

A noite é aqui vista como um refúgio, como uma metamorfose de si.

Como diz Jorge de Sena «A noite que poeticamente sentiu, como raríssimos poetas portugueses, com uma diversidade e uma profundidade que a solidão lhe ensinou, foi o seu grande refúgio». 

Ana Cláudia Moutinho e Áurea Ramos, “O Simbolismo Metafórico” in Hipermedia Pessoano,
http://www.ufp.pt/index.php?option=com_content&view=article&id=189%3Ahipermedia-pessoano-o-simbolismo-metaforico&catid=21%3Auniversidade&Itemid=68
(consultado em 2011-12-02)

 

 

 

 

 

Avalie os seus conhecimentos acerca da vida e obra de Fernando Pessoa ortónimo.

 

1.       Identifique as afirmações verdadeiras e as falsas, convertendo estas últimas em verdadeiras.

1.1.      Fernando Pessoa recebeu uma educação fundamentalmente inglesa. V|F

1.2.      A perda da mãe, quando criança, influenciou a afectividade do poeta. V|F

1.3.      A infância deste foi vivida na companhia de alguns heterónimos. V|F

1.4.      O movimento artístico, divulgado na revista literária Orpheu, inaugurado pela geração de Fernando Pessoa, designa-se Simbolismo. V|F

1.5.      Antes do Orpheu, Fernando Pessoa mantivera-se distante da participação em revistas literárias. V|F

1.6.      O ano de 1914 é um marco importante na obra pessoana: dá-se a explosão heteronímica. V|F

1.7.      O Modernismo representa a inquietude de uma geração. V|F

1.8.      A poesia do Orpheu é caracterizada pela alucinação, pelo choque e pela irreverência, factores que cativaram as grandes elites da época. V|F

1.9.      O futurismo implementa-se na Europa, como movimento estético revolucionário, com o escritor italiano Tommaso Marinetti. V|F

1.10. O futurismo pretende dar continuidade às tradições, verificando-se, a nível literário, o respeito pela ordem sintáctica e pela pontuação. V|F

1.11. A morte do companheiro de geração e amigo, Mário de Sá-Carneiro, marcou Pessoa profundamente. V|F

1.12.  O poeta concilia frequentemente o sentir com o pensar. V|F

1.13. A obra poética de Fernando Pessoa reflecte vivências do seu passado. V|F

1.14. O sonho e a realidade cruzam-se em algumas das suas composições poéticas. V|F

1.15. Fernando Pessoa revela-se um poeta que transmite uma solidão interior, traduzida nos sentimentos de tédio e melancolia. V|F

1.16. Fernando Pessoa manifesta dificuldade em lidar com os afectos. V|F

1.17. A constatação de uma realidade fugaz faz do poeta um ser lutador. V|F

1.18. A teoria do fingimento poético consiste em representar as emoções de modo abstracto. V|F

1.19. Fernando Pessoa recorre frequentemente a alguns símbolos para representar algumas realidades. V|F

1.20. O fingimento poético deve ser visto como uma mentira e não como a intelectualização das emoções. V|F

1.21. A busca incessante de autoconhecimento leva à fragmentação do "eu". V|F

1.22. A constante racionalização do sentir faz do ortónimo um ser feliz. V|F

 

2.           Complete as frases que se seguem.

2.1.     "Autopsicografia" e "Isto" são os poemas de Pessoa mais exemplificativos da teoria do _______ poético.

2.2.      O poema _______ representa nitidamente o sofrimento do "eu" poético pelo facto de estar consciente.

2.3.     A dor de pensar é visível em poemas como _________ e _________.

2.4.     O anti-sentimentalismo do poeta afirma-se essencialmente na composição poética intitulada _________.

2.5.     A saudade da infância é um tema recorrente na poesia de Pessoa ortónimo, como documentam os poemas _________ e _________.

 

(in Das Palavras aos Actos. Ensino Secundário. 12º Ano,
Ana Maria Cardoso, Célia Fonseca, Maria José Peixoto, Vítor Oliveira, Porto, Edições Asa, 2005, p. 65)

 

 

Correção da ficha sobre Fernando Pessoa ortónimo:

1.1. V
1.2. F ("A perda do pai...").
1.3. V
1.4. F ("... Modernismo").
1.5. F ("... Fernando Pessoa já participara em revistas literárias como A
Águia").
1.6. V
1.7. V
1.8. F ("... fatores que chocaram as grandes elites da época.").
1.9. V
1.10. F ("O futurismo pretende romper com...").
1.11. V
1.12. F ("O poeta não consegue conciliar o sentir com o pensar.").
1.13. V
1.14. V
1.15. V
1.16. V
1.17. F ("... um ser sofredor/angustiado.").
1.18. V
1.19. V
1.20. F ("O fingimento poético não deve ser visto como uma mentira, mas sim como a inteletualização das emoções.")
1.21. V
1.22. F ("... um ser angustiado.").

 

2.1. ... fingimento.
2.2. ... "Ela canta, pobre ceifeira".
2.3. "Ela canta, pobre ceifeira," / "Não sei, ama onde era"...
2.4. "Isto"
2.5. "Não sei, ama, onde era" / "O sino da minha aldeia".

 

 

Aferição de leitura – o Modernismo e Fernando Pessoa ortónimo. Aqui.

 

 

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José Carreiro, Lusofonia < http://lusofonia.com.sapo.pt/literatura_portuguesa/FP_ortonimo.htm > 2011-12-16

 

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 José Carreiro
 
aguiarcarreiro@gmail.com